sábado, 14 de maio de 2011

A ética protestante e o espírito de capitalismo - Alunos do 2 ano


Um dos trabalhos mais conhecidos e importantes de Weber é A ética protestante e o espírito de capitalismo, no qual ele relaciona o papel do protestantismo na formação do comportamento típico do capitalismo ocidental moderno. Weber parte de dados estatísticos que lhe mostraram a proeminência de adeptos da Reforma Protestante entre os grandes homens de negócios, empresários bem-sucedidos e mão-de-obra qualificada. A partir daí, procura estabelecer conexões entre a doutrina e a pregação protestante, seus efeitos no comportamento dos indivíduos e sobre o desenvolvimento capitalista.
Weber descobre que os valores do protestantismo – como disciplina ascética, a poupança, a austeridade (rigor), a vocação, o dever e a propensão ao trabalho – atuavam de maneira decisiva sobre os indivíduos. No seio das famílias protestantes, os filhos eram criados para o ensino especializado e para o trabalho fabril, optando sempre por atividades mais adequadas à obtenção do lucro, preferindo o cálculo e os estudos técnicos ao estudo humanístico. Weber mostra a formação de uma nova mentalidade, um ethos – valores éticos- propício ao capitalismo, em flagrante oposição ao “alheamento” e à atitude contemplativa do catolicismo, voltados para a oração, sacrifício e renuncia da vida prática.
Um dos aspectos importantes desse trabalho, no seu sentido teórico, está em expor as relações entre religião e sociedade e desvendar particularidades do capitalismo. Além disso, nessa obra, podemos ver de que maneira Weber aplica seus conceitos e posturas metodológicas.

Alguns dos principais aspectos de análise:

  1. A relação entre a religião e a sociedade na se dá por meios institucionais, mas por intermédio de valores introjetados nos indivíduos e transformados em motivos da ação social. A motivação protestante, segundo Weber, é o trabalho, enquanto dever e vocação, como um fim absoluto em si mesmo, e na o ganho material obtido por meio dele.
  2. O motivo que mobiliza internamente os indivíduos é inconsciente. Entretanto, os feitos dos atos individuais ultrapassam a meta inicialmente visada. Buscando sair-se bem na profissão, mostrando sua própria virtude e vocação e renunciando aos prazeres materiais, o protestante puritano se adéqua facilmente ao mercado de trabalho, acumula capital e o reinveste produtivamente.
  3. Ao cientista cabe, segundo Max Weber, estabelecer conexões entre a motivação dos indivíduos e os efeitos de sua ação no meio social. Procedendo assim, Weber analisa os valores do catolicismo e do protestantismo, mostrando que os últimos revelam a tendência ao racionalismo econômico que predominará no capitalismo.
  4. Para constituir o tipo ideal de capitalismo ocidental moderno, Weber estuda as diversas características das atividades econômicas em diversas épocas e lugares, antes e após o surgimento das atividades mercantis e da indústria. E, conforme seus preceitos, constrói um tipo gradualmente estruturado a partir de suas manifestações particulares tomadas à realidade histórica. Assim, diz ser o capitalismo, na sua forma típica, uma organização econômica racional assentada no trabalho livre e orientada para um mercado real, não para a mera especulação ou rapinagem. O capitalismo promove a separação entre empresa e residência, a utilização técnica de conhecimentos científicos e o surgimento do direito e da administração racionalizados.
Responda:

  1. O que os dados estatísticos revelaram a Weber sobre a relação entre protestantismo e capitalismo?
  2. Qual a relação entre a ação social dos protestantes e o capitalismo?
  3. Por que o protestante puritano se adéqua facilmente ao sistema capitalista de produção?
  4. Explique o que você entendeu do texto A ética protestante e o espírito do capitalismo.

O Estado


Quando uma pessoa tem seu imposto de renda retido na fonte- ou quando compra determinado produto (alimentos, roupas, calçados) -, está sendo tributada, isto é, está pagando impostos ao Estado. Os tributos representam o recolhimento de recursos financeiros provenientes de pessoas físicas (indivíduos) e pessoas jurídicas (empresas) pelo Estado. Esses recursos servem para que o Estado matenha sua máquina administrativa (funcionários, deputados, senadores, etc.), faça investimentos de infraestrutura (saneamento básico) e preste os serviços sociais básicos a população (escolas...). O recolhimento de tributos só é possível porque os integrantes da sociedade reconhecem que o Estado tem esse direito e porque o Estado detém um forte poder de coerção. Esse poder permite ao governo (que é uma das instâncias do Estado) recorrer a várias formas de pressão (multas, processos judiciais, prisão, etc.) para fazer valer seu direito de cobrar impostos.

O monopólio da força legítima: Segundo o sociólogo Max Weber, o Estado é a instituição social que dispõe  do monopólio do emprego da força legítima sobre um determinado território. A expressão ‘força legítima’ pressupõe que o Estado tem o direito de recorrer à força sempre que isso seja necessário, e que esse direito é reconhecido pela sociedade sobre a qual esse Estado exerce seu poder. É diferente, por exemplo, da violência utilizada por malfeitores, considerada ilegítima. Nas democracias modernas, a lei confere ao Estado o direito de recorrer a várias formas de pressão, inclusive a violência, para que suas decisões sejam obedecidas. Esse direito é geralmente executado por oficiais de justiça e policiais em cumprimento de ordens judiciais determinadas pelos detentores do poder Judiciário, um dos poderes do Estado.

O poder do Estado: Segundo ainda Max Weber, o termo poder, em sentido amplo, designa “a probabilidade de impor a própria vontade dentro de uma relação social, mesmo contra toda resistência”. Poder significa, assim, a probabilidade de alguém se fazer obedecer por outra pessoa. Ter poder é conseguir impor a própria vontade sobre a vontade de outros indivíduos.
Nas democracias representativas, o poder do Estado tem por base uma Constituição livremente elaborada e aprovada por uma assembléia de pessoas eleitas com essa finalidade, a Assembleia Constituinte. O Estado assim organizado é chamado de Estado de direito, pois nele ninguém está acima da lei. O poder nesse tipo de Estado não está centralizado nas mãos de um único governante, nem mesmo de um só conjunto de instituições. Na verdade, ele se distribui entre conjuntos, que integram a instituição maior do Estado. São eles, os poderes executivo (governo, administração pública, forças armadas), Legislativo (Congresso nacional, Assembleias Legislativas e câmaras de Vereadores); e Judiciário (órgãos da justiça).
Em virtude de seu monopólio da força legítima, o Estado detém o poder supremo na sociedade. Ele reserva para si o direito de impor e de obrigar aqueles que discordam de suas decisões a cumprirem a lei. Qualquer outro uso da força ou coerção, por bandos criminosos, soldados amotinados, grupos rebeldes – é ilegítimo e coibido pelo Estado. Quando o Estado não consegue eliminar tais focos de violência e desrespeito à lei, perde sua característica principal, a de fazer cumprir a lei e, a longo prazo, corre o risco de deixar de existir. Isso ocorre, sobretudo quando ele não consegue debelar uma revolução ou uma insurreição, ou quando não pode impedir que certas áreas de seu território fiquem à mercê de bandidos, como acontece hoje nas favelas do Rio de Janeiro.

Alguns componentes do Estado: O Estado é essencialmente um agente de controle social, tem poder para regular as relações entre todos os membros da sociedade. Os três componentes mais importantes do Estado são:
Território: constitui sua base física, sobre a qual ele exerce sua jurisdição;
População: é composta pelos habitantes do território que forma a base física e geográfica do Estado;
Instituições políticas – Entre estas sobressaem os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário; o núcleo do poder do Estado, contudo, está nas mãos do governo – grupo de pessoas colocadas à frente dos órgãos administrativos e que exercem temporáriamente o poder público em nome da sociedade.
Estado e nação: Embora sejam às vezes utilizados como sinônimos, existem grandes diferenças entre os conceitos de Estado e de nação. A nação é o conjunto de pessoas ligadas entre si por laços permanentes de idioma, tradições, costumes e valores; é anterior ao Estado, podendo existir sem ele. Já um Estado pode copreender várias nações, como é o caso do Reino Unido (ou Grã-Bretanha, formada pela Escócia, Irlanda do Norte, País de Gales e Inglaterra). Por outro lado, como vimos, podem existir nações sem Estado, como acontecia com os judeus antes da criação do Estado de Israel, e ainda ocorre hoje com os palestinos, os curdos e ciganos.

Responda em seu Caderno:
 1. Quais é a principal característica definidora do Estado?
2. Explique as diferenças entre Estado e nação.
3. Explique os componentes mais importantes do Estado e qual sua importância para a sociedade.

Referência: SANTOS, Pérsio Oliveira. Introdução a Sociologia. São Paulo:Ed. Atica, 2009.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Atividade sobre sociologia - Para os Alunos do 1º ano


Colégio Estadual Genesco F. Bretas.
Goiânia,    março de 2011.
Disciplina: Sociologia
Prof. Tatiele
Aluno:



10 – (UFUB) Assinale a alternativa correta:

O surgimento da Sociologia foi propiciado pela necessidade de:

A) Manter a interpretação mágica da realidade como patrimônio de um restrito círculo sacerdotal.
B) Manter uma estrutura de pensamento mítica para a explicação do mundo.
C) Condicionar o indivíduo, através dos rituais, a agir e pensar conforme os ensinamentos transmitidos pelos deuses.
D) Considerar os fenômenos sociais como propriedade exclusiva de forças transcendentais.
E) Observar, medir e comprovar as regras que tornassem possível, através da razão, prever os fenômenos sociais.


9 – (UFUB) Sobre o surgimento da Sociologia, podemos afirmar que:

I – A consolidação do sistema capitalista na Europa no século XIX forneceu os elementos que serviram de base para o surgimento da Sociologia enquanto ciência particular.

II – O homem passou a ser visto, do ponto de vista sociológico, a partir de sua inserção na sociedade e nos grupos sociais que a constituem.

III – Aquilo que a Sociologia estuda constitui-se historicamente como o conjunto de relacionamentos que os homens estabelecem entre si na vida em sociedade.

IV – Interessa para a Sociologia, não indivíduos isolados, mas inter-relacionados com os diferentes grupos sociais dos quais fazem parte, como a escola, a família, as classes sociais e etc.

A) II e III estão corretas.
B) Todas as afirmativas estão corretas.
C) I e IV estão corretas.
D) I, III e IV estão corretas.
E) II, III e IV estão corretas.


1. O que é a Sociologia e o que ela estuda?

segunda-feira, 14 de março de 2011

Revolução industrial e importância para o surgimento da sociologia


As primeiras reflexões mais sistemáticas sobre a sociedade só começaram a ser formuladas no momento em que ela se diversificou como nunca anteriormente, com a Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra por volta de 1750. Ela deu origem a novos grupos sociais – burguesia e o proletariado – e à formação de um novo tipo de estrutura social: a sociedade capitalista.
Nesse processo teve particular importância a Revolução Francesa (1789), que concorreu para a ascensão da burguesia ao poder e para dar maior visibilidade aos problemas e conflitos sociais.
A Revolução industrial introduziu a máquina a vapor no processo produtivo, reorganizou o trabalho manufatureiro de forma radical, destruiu o artesão independente, introduziu a fábrica moderna e criou uma nova classe de trabalhadores: o proletariado, ou classe operária, concentrando sobretudo em grandes unidades industriais.
            Esse processo provocou muitas mudanças, como o crescimento das cidades, a concentração de centenas de milhares de trabalhadores em bairros industriais e a degradação das condições de vida do trabalhador. Até o fim do século XIX, as jornadas de trabalho na indústria européia giravam em torno de catorze ou dezesseis horas por dia. Não havia descanso remunerado, como hoje, nem férias, nem aposentadoria. Como observa Carlos Martins “as conseqüências da rápida industrialização e urbanização levadas a cabo pelo sistema capitalista foram tão visíveis quanto trágicas: aumento assustador da prostituição, do suicídio, do alcoolismo, do infanticídio, da criminalidade, da violência, de surtos de epidemias de tifo e cólera que dizimavam parte da população, etc.” (MARTINS, CARLOS B. op. cit. p. 13-4)
            Desse modo com as mudanças ocasionadas pela Revolução industrial, diversos pensadores começaram a refletir sobre os novos fenômenos sociais: “A sociologia constitui em certa medida uma resposta intelectual às novas situações colocadas pela Revolução Industrial”


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Surgimento da Sociologia - para os alunos e alunas do 1º ano

A sociologia surge enquanto disciplina e ciência no séc. XIX, no entanto, o contexto de seu nascimento está relacionado às transformações que estavam ocorrendo na Europa desde o séc.XVI. A revolução industrial e a revolução francesa configuram o marco do surgimento da sociologia, mas devemos ressaltar que tais revoluções apenas foram possíveis com o chamado renascimento.

Fatores que influenciaram o Surgimento da Sociologia:

  • Renascimento: é o período em que passa a se questionar a forma de organização do sistema feudal, ao contrário do feudalismo, o renascimento está baseado na razão, no antropocentrismo (o homem é o centro do universo), consequentemente, o pensamento da igreja que era preponderante para a manutenção da ordem e do regime feudal passa a ser questionado, o comércio passa a se desenvolver e assim, a economia amonetária dá lugar a circulação de dinheiro e ao lucro. No sistema feudal as explicações acerca da vida dos europeus estavam baseadas na tradição, em mitos ou na religião. Isso quer dizer que naquela época não existia uma ciência no modelo que conhecemos hoje.
  • Transformações que ocorreram com o renascimento:
1)     Novas formas de produção e circulação de mercadorias. 2) Novo tipo de sistema econômico: capitalismo, voltado para a produção e para a troca, para a expansão comercial, para a circulação crescente de mercadorias e para o consumo de bens materiais. 3) Novas formas de trabalho, novas formas de pensar e de agir surgiram.

O renascimento foi importante para a sociologia enquanto ciência, pois, apenas seria possível pensar na investigação de uma sociedade com base no conhecimento científico a partir da razão, da racionalidade, além disso, instigou pensadores a tentarem compreender as transformações que estavam ocorrendo. Francis Bacon (filósofo 1561-1626) parte da idéia que a teologia deveria ser substituída pelo método da dúvida no estudo da sociedade. Para este, o método de conhecimento deveria estar baseado na observação e na experimentação. p.18 



Revolução Industrial e Revolução Francesa: Consolidação do Capitalismo e Surgimento da Sociologia.

A sociologia surge com o objetivo de explicar as mudanças sociais, “as situações sociais radicalmente novas” ocorridas com a desagregação da sociedade feudal e o advento do capitalismo.

Revolução Industrial: representou não apenas a introdução de máquinas na constituição do processo de produção, mas também a apropriação das terras, das ferramentas, sob o controle do empresário capitalista, desse modo, existia de um lado, uma massa de despossuídos transformados em trabalhadores e, de outro, uma pequena parcela de pessoas detentoras dos meios de produção. “Cada avanço com relação à consolidação da sociedade capitalista representava a desintegração, o solapamento de costumes e instituições até então existentes e a introdução de novas formas de organizar a vida social.”  
As primeiras reflexões mais sistemáticas sobre a sociedade só começaram a ser formuladas  no momento em que ela se diversificou como nunca anteriormente, com a Revolução Industrial, iniciada por volta de 1750 na Inglaterra. Ela deu origem a novos grupos sociais – a burguesia e o proletariado – e à formação de um novo tipo de estrutura social: a sociedade capitalista.
A revolução industrial introduziu a máquina a vapor no processo produtivo, reorganizou o trabalho manufatureiro de forma radical, destruiu o artesão independente, introduziu a fábrica moderna e criou uma nova classe de trabalhadores: o proletariado, ou classe operária, concentrado sobretudo em grandes unidades industriais.
Esse processo provocou muitas mudanças, como o crescimento das cidades, a concentração de centenas de milhares de trabalhadores em bairros industriais e a degradação das condições de vida do proletariado. Até o fim do século XIX, as jornadas de trabalho na indústria européia giravam em torno de catorze ou dezesseis horas por dia. Não havia descanso remunerado, como hoje, férias ou aposentadoria.
  • Implementação das máquinas foi um processo em que houve várias contestações por parte dos pobres e operários.

A implementação das máquinas não foi um processo calmo, pelo contrário, as condições sob as quais os pobres, especialmente, a classe operária, estava submetida trouxeram contestações contra aquela forma de organização social, a destruição de máquinas, atos de sabotagem, destruição de oficinas, crimes, foram algumas das formas de resistência contra o modo de produção capitalista e a forma de pensar daquela sociedade, mais tarde, esses atos “evoluíram” para a constituição de associações e sindicatos e constituindo uma classe, a operária, contra outra, a burguesa ou dos empresários. (Martins, 1994).

Revolução Francesa: trouxe significativas transformações naquela sociedade, tais mudanças estavam relacionadas à revolução industrial. O objetivo desta revolução era derrubar o “Antigo Regime”, acabar com a monarquia, criar as possibilidades para o crescimento da sociedade capitalista, os burgueses estavam na liderança desta revolução e utilizaram os pobres e operários para conseguir vencer o grupo que defendia o modo de produção feudal e a monarquia. O panorama da sociedade francesa foi de suma importância para a constituição da sociologia enquanto ciência.



Cidadania - PARA OS ALUNOS E ALUNAS DO TERCEIRO ANO



A etimologia (origem) da palavra cidadão remete à cidade (do latim civitas, que, no mundo romano, corresponde a pólis, a Cidade-Estado dos gregos). Na baixa idade média (sécs. XII a XV), os servos fugiam dos feudos para as cidades onde não precisavam estar presos a terra, assim, a autonomia das cidades medievais transformou-as num lugar privilegiado para o exercício da liberdade. A Liberdade é entendida, nesse período, como libertação da servidão, isto significa que na origem a idéia força de cidadania diz respeito à idéia de liberdade. Vale ressaltar que as cidades, nessa época, representam o início do comércio e, assim, do sistema capitalista de produção.
O conceito de cidadão se transformou durante os diversos períodos da história. Deve-se ressaltar a importância da formação do Estado absolutista, para a formação dos direitos do cidadão. Com a formação do Estado absolutista (todo poder é do rei) várias filósofos e pensadores começaram a escrever sobre a importância de limitar o poder “a separação dos poderes” (Montesquieue; Locke); Os direitos naturais, a democracia ou a soberania popular (Rousseu).
Jean – Jacques Rousseau (1712-1778) é um dos teóricos do Iluminismo e seus escritos foram importantes para a constituição da cidadania. O iluminismo pegava carona num processo histórico iniciado com o Renascimento desenvolvido entre os séculos 13 e 17. O renascimento atribuía importância para a razão, a individualidade, o humanismo e o sentimento de emancipação do homem contra as “velhas formas de se viver” (refere-se à idade média), o iluminismo pregava as idéias renascentistas além da crítica ao Estado Absolutista.
As idéias iluministas impulsionaram a Revolução Francesa (1789) que culminou na queda do Estado Absolutista e no advento da democracia. Assim, a revolução francesa foi de suma importância para colocar no centro da política o conceito de cidadania.  Após a revolução a assembléia nacional constituinte aprovou a declaração universal dos direitos do homem e do cidadão, com artigos de proteção as liberdades individuais e aos direitos humanos. Essa carta seria a base para as futuras legislações do gênero, sobretudo a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela Organização das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, três anos após o fim dos horrores praticados durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Naquele momento de reconstrução mundial, discutia-se com profundidade a questão dos direitos, da diversidade e da cultura.
A discussão acerca dos direitos não se pautou apenas na esfera política, mas também vários intelectuais passaram a discutir a cidadania. O antropólogo Claude Lévi Strauss (1908-2009) publicou o livro raça e história (1952), cujas ideias destruíram de vez o conceito de raça superior. Mas foi outro autor da sociologia, Thomas H. Marshal (1893-1981) que sistematizou o conceito de cidadania e revelou o desenvolvimento histórico dos três tipos de direitos: civis, políticos e sociais.  Assim, de acordo com a sociologia a cidadania pode ser dividida em:

Direitos
Contexto histórico
O que garante
Civis
Surgiram no século XVIII, com a declaração dos direitos do homem (1789) e a Constituição Francesa (1791).
Liberdade Individual – liberdade de ir e vir, liberdade de imprensa, pensamento e fé, o direito à propriedade e de concluir contratos válidos e o direito à justiça.
Políticos
No século 19, no bojo da concretização do Estado de Direito
Direito a participar no exercício do poder político, como um membro do organismo investido da autoridade política ou como eleitor dos membros de tal organismo.
Sociais
Obtidos no século XX, mas que estão em fase de ‘consolidação’ em diversos países periféricos.
O elemento social se refere a tudo que vai desde o direito a um mínimo de bem-estar econômico e segurança ao direito de participar, por completo, na herança social e levar a vida de um ser civilizado (...) As instituições ligadas a eles são o sistema educacional e os serviços sociais. 

A sociologia de Durkheim - Para os alunos do 2 Ano - 2011


Émile Durkheim (1858-1917) nasceu na Alsácia, descendente de uma família de rabinos. Iniciou seus estudos na Escola Normal superior de Paris, indo depois para a Alemanha. Lecionou sociologia em Bordéus, primeira cátedra dessa ciência criada na França. Durkheim é apontado como um dos primeiros grandes teóricos da sociologia, ele e seus colaboradores se esforçaram por emancipar a sociologia das demais teorias sobre a sociedade e constituí-la como disciplina rigorosamente cientifica. Em seus livros e curso, sua preocupação foi definir com precisão o objeto, método e as aplicações dessa nova ciência.
No livro As regras do método sociológico, publicado em 1895, Durkheim definiu com clareza o objeto da sociologia – os fatos sociais.
O fato social possui três características:
  1. Coerção social, isto é, a força que os fatos exercem sobre os indivíduos, levando-os a conformar-se as regras da sociedade em que vivem independentemente de sua vontade e escolha. Exemplo: o idioma adotado, a formação familiar, ou a subordinação a determinado código de leis. O grau de coerção dos fatos sociais pode ser evidenciado por meio das sanções que podem ser legais ou espontâneas. Legais são as sanções prescritas pela sociedade, sob a forma de leis, nas quais se estabelece a infração e a penalidade subseqüente. Espontâneas são as que ocorrem em função de uma conduta não adaptada a estrutura do grupo ou da sociedade, Durkheim escreve a seguinte frase para explicar este tipo de sanção:
“Se sou industrial, nada me proíbe de trabalhar usando processos e técnicas do século passado; mas se o fizer, terei a ruína como resultado inevitável” (Cristina Costa. 1997, p.60).
Ex.: Educação formal e informal.
  1. Exterioridade: Os fatos sociais existem independentemente da vontade individual ou da adesão consciente, ou seja, são exteriores aos indivíduos. As regras sociais, os costumes, as leis, já existem antes do nascimento das pessoas, são a elas impostos por mecanismos de coerção social, como a educação. Portanto, os fatos sociais são coercitivos e dotados de existência exterior às consciências individuais.
  2. Generalidade: é social todo fato que é geral, que se repete em todos os indivíduos ou, pelo menos, na maioria deles. Por esta generalidade, os fatos sociais manifestam sua natureza coletiva ou um estado comum ao grupo, como as formas de habitação, de comunicação, os sentimentos e a moral.

A objetividade do fato social
Durkheim queria definir a sociologia como ciência.
Após definir o fato social, Durkheim, definiu seu método de estudo. Para ele, como para os positivistas de maneira geral, a explicação cientifica exige que o pesquisador mantenha certa distância e neutralidade em relação aos fatos, resguardando a objetividade de sua análise. Além disso, o sociólogo precisa deixar suas prenoções, isto é, seus valores e sentimentos pessoais em relação ao acontecimento a ser estudado, pois nada tem de cientifico e podem distorcer a realidade. Essa postura exige o não envolvimento afetivo ou de qualquer outra espécie entre o cientista e seu objeto. A neutralidade também exige a não interferência do cientista no fato observado.
Com o objetivo de garantir a sociologia um método eficiente como o das ciências naturais, Durkheim aconselhava o sociólogo a encarar os fatos como coisas, isto é, objetos que, lhe sendo exteriores, deveriam ser medidos, observados e comparados independentemente do que os indivíduos envolvidos pensassem ou declarassem a seu respeito.

Um dos objetos de estudo de Durkheim: Suicídio- constituí-a-se, nesse sentido, em fato social por corresponder a todas essas características: é geral, existindo em todas as sociedades; e, embora sendo casual e resultando de razões particulares, apresenta em todas elas certa regularidade, recrudesce ou diminui de intensidade em certas condições históricas, expressando assim sua natureza social.
Referencia: Costa, Cristina. Sociologia: Introdução a ciência da sociedade. 2 ed. – São Paulo: Moderna, 1997

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Para os alunos do 1 ano


Aos alunos do primeiro ano o trabalho solicitado que compõe a última nota consiste na escolha de um tema e realizem um roteiro de entrevista, que faz parte da pesquisa qualitativa, sobre determinado assunto da escolha dos alunos e apliquem esse roteiro com uma pessoa e tentem interpreta-lo.

Para os alunos do 2 ano dicas sobre o trabalho

Vocês devem pesquisar sobre o trabalho no regime de acumulação ou modo de produção Taylorista, fordista e na era da acumulação flexível. Dicas:

O trabalho no modo de produção taylorista caracteriza-se pela grande divisão do trabalho, veja o que diz o site infoescola: "Taylorismo  é uma concepção de produção, baseada em um método científico de organização do trabalho, desenvolvida pelo engenheiro americano Frederick W. Taylor (1856-1915). Em 1911, Taylor publicou “Os princípios da administração”, obra na qual expôs seu método.
A partir dessa concepção, o Taylorismo, o trabalho industrial foi fragmentado, pois cada trabalhador passou a exercer uma atividade específica no sistema industrial. A organização foi hierarquizada e sistematizada, e o tempo de produção passou a ser cronometrado."

No modo de produção fordista, segundo o site brasil escola:  empresa “Ford Motor Company”,  Posteriormente, ele inovou com o processo do fordismo, que, absorveu aspectos do taylorismo. Consistia em organizar a linha de montagem de cada fábrica para produzir mais, controlando melhor as fontes de matérias-primas e de energia, os transportes, a formação da mão-de-obra. Ele adotou três princípios básicos;

1) Princípio de Intensificação: Diminuir o tempo de duração com o emprego imediato dos equipamentos e da matéria-prima e a rápida colocação do produto no mercado.
2)  Princípio de Economia: Consiste em reduzir ao mínimo o volume do estoque da matéria-prima em transformação.
3)  Princípio de Produtividade: Aumentar a capacidade de produção do homem no mesmo período (produtividade) por meio da especialização e da linha de montagem. O operário ganha mais e o empresário tem maior produção.

Regime de acumulação flexível: A acumulação flexível de capital, na concepção de D. HARVEY, representa um "confronto direto com a rigidez do fordismo. Ela se apoia na flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo. Caracteriza-se pelo surgimento de setores de produção inteiramente novos, novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional.

domingo, 14 de novembro de 2010

Cidadania - PARA OS ALUNOS DO TERCEIRO ANO E DO EJA


A etimologia (origem) da palavra cidadão remete à cidade (do latim civitas, que, no mundo romano, corresponde a pólis, a Cidade-Estado dos gregos). Na baixa idade média (sécs. XII a XV), os servos fugiam dos feudos para as cidades onde não precisavam estar presos a terra, assim, a autonomia das cidades medievais transformou-as num lugar privilegiado para o exercício da liberdade. A Liberdade é entendida, nesse período, como libertação da servidão, isto significa que na origem a idéia força de cidadania diz respeito à idéia de liberdade. Vale ressaltar que as cidades, nessa época, representam o início do comércio e, assim, do sistema capitalista de produção.
O conceito de cidadão se transformou durante os diversos períodos da história. Deve-se ressaltar a importância da formação do Estado absolutista, para a formação dos direitos do cidadão. Com a formação do Estado absolutista (todo poder é do rei) várias filósofos e pensadores começaram a escrever sobre a importância de limitar o poder “a separação dos poderes” (Montesquieue; Locke); Os direitos naturais, a democracia ou a soberania popular (Rousseu).
Jean – Jacques Rousseau (1712-1778) é um dos teóricos do Iluminismo e seus escritos foram importantes para a constituição da cidadania. O iluminismo pegava carona num processo histórico iniciado com o Renascimento desenvolvido entre os séculos 13 e 17. O renascimento atribuía importância para a razão, a individualidade, o humanismo e o sentimento de emancipação do homem contra as “velhas formas de se viver” (refere-se à idade média), o iluminismo pregava as idéias renascentistas além da crítica ao Estado Absolutista.
As idéias iluministas impulsionaram a Revolução Francesa (1789) que culminou na queda do Estado Absolutista e no advento da democracia. Assim, a revolução francesa foi de suma importância para colocar no centro da política o conceito de cidadania.  Após a revolução a assembléia nacional constituinte aprovou a declaração universal dos direitos do homem e do cidadão, com artigos de proteção as liberdades individuais e aos direitos humanos. Essa carta seria a base para as futuras legislações do gênero, sobretudo a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela Organização das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, três anos após o fim dos horrores praticados durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Naquele momento de reconstrução mundial, discutia-se com profundidade a questão dos direitos, da diversidade e da cultura.
A discussão acerca dos direitos não se pautou apenas na esfera política, mas também vários intelectuais passaram a discutir a cidadania. O antropólogo Claude Lévi Strauss (1908-2009) publicou o livro raça e história (1952), cujas ideias destruíram de vez o conceito de raça superior. Mas foi outro autor da sociologia, Thomas H. Marshal (1893-1981) que sistematizou o conceito de cidadania e revelou o desenvolvimento histórico dos três tipos de direitos: civis, políticos e sociais.  Assim, de acordo com a sociologia a cidadania pode ser dividida em:

Direitos
Contexto histórico
O que garante
Civis
Surgiram no século XVIII, com a declaração dos direitos do homem (1789) e a Constituição Francesa (1791).
Liberdade Individual – liberdade de ir e vir, liberdade de imprensa, pensamento e fé, o direito à propriedade e de concluir contratos válidos e o direito à justiça.
Políticos
No século 19, no bojo da concretização do Estado de Direito
Direito a participar no exercício do poder político, como um membro do organismo investido da autoridade política ou como eleitor dos membros de tal organismo.
Sociais
Obtidos no século XX, mas que estão em fase de ‘consolidação’ em diversos países periféricos.
O elemento social se refere a tudo que vai desde o direito a um mínimo de bem-estar econômico e segurança ao direito de participar, por completo, na herança social e levar a vida de um ser civilizado (...) As instituições ligadas a eles são o sistema educacional e os serviços sociais. 

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Os diversos modos de produção e, portanto, as mudanças no mundo do trabalho e da sociedade

PARA OS ALUNOS DO 2 ANO - COLÉGIO GENESCO

Toda atividade humana que resulte em bens ou serviços é considerada trabalho. É trabalho, tanto a atividade do operário de uma indústria quanto à do engenheiro que projeta os bens a serem produzidos. Mas as formas de organização do trabalho se diferenciaram ao longo da história e a nossa tarefa aqui é compreender os diferentes modos de produção, isto é, a forma como a sociedade produz seus bens e serviços, como os utiliza e como os distribui.
 Cada sociedade tem seu modo de produção, este é constituído  por fatores dinâmicos, que estão em constante mudança: as forças produtivas, que se modificam com o desenvolvimento dos métodos de trabalho, com o avanço tecnológico e científico; e as relações de produção, também sujeitas a transformações, embora mais lentas.  Com o tempo, o desenvolvimento das forças produtivas acarreta mudanças e até rupturas (por meio de revoluções) nos modos de produção. Na sequência estabelecida por Karl Marx, os grandes modos de produção teriam sido: antigo (escravista), asiático, feudal e burguês moderno. É claro que após a morte de Marx novas formas de organização do trabalho se constituíram e também vamos abordá-las. Nesse momento, elegeremos os principais modos de produção:
1.     Comunidade Primitiva: As pessoas trabalhavam em estreita cooperação. A terra era o principal meio de produção. Tanto ela quanto os frutos do trabalho eram propriedade coletiva, comunal, isto é, de todos. Não existia a idéia de propriedade privada dos meios de produção. Não havia propriedade, de um lado, e trabalhadores de outro. As relações de produção eram relações de cooperação. As formas de organização social eram as da comunidade baseada em laços de parentesco.
2.     Escravista: não se sabe exatamente como e quando ocorreu em alguns lugares a dissolução da comunidade primitiva e quando surgiram as primeiras formas de escravidão. Sabe-se, porém, que a guerra entre comunidades e povos propiciou prisioneiros que foram rapidamente escravizados. Na sociedade escravista, os meios de produção (terras e instrumentos de produção) e os escravos eram propriedade do senhor. O escravo era considerado um instrumento, um objeto, como um animal ou uma ferramenta. Um pequeno número de senhores explorava a massa de escravos, que não tinha nenhum direito. O modo de produção escravista caracteriza duas importantes sociedades: a grega e a romana da Antiguidade Clássica.
3.     Na abordagem de Marx e Engels, o modo de produção asiático predominou na Índia e no Egito da Antiguidade, bem como nas civilizações pré-colombianas dos incas (nos países andinos da America do sul), maias (leste do México) e astecas (do México à Nicarágua). Trata-se na verdade, de sociedades fechadas, equipadas com um Estado forte e uma burocracia eficiente, capaz de manter o poder total do Estado, ao qual a sociedade estava subordinada. No modo asiático de produção, os meios de produção e a força de trabalho pertenciam ao Estado, encarnado no imperador. Abaixo dele, o grupo mais poderoso era o dos administradores públicos, que atuavam em nome do Estado.
4.     Modo de produção feudal: predominou na Europa Ocidental entre o século VIII e o século XVI. Durante a idade média nem todos os países europeus experimentaram o feudalismo como modo de produção dominante, foi o caso de Cidades-Estado Italianas Veneza, Florença e outras voltadas para o comércio e da península Ibérica (Portugal e Espanha) que passou quase todo o período medieval sobre o domínio mulçumano. As relações de produção no feudalismo baseavam-se sobretudo na propriedade do senhor sobre a terra e no trabalho agrícola do servo. Assim, sociedade feudal estruturou-se basicamente sobre a divisão entre senhores e servos, embora existissem outros grupos sociais, como o dos mercadores, religiosos e artesãos. Os servos tinham uma condição muito inferior nessa sociedade, mas não viviam como os escravos. Tinham o direito de cultivar um pedaço de terra, mas não podia comprá-la ou vendê-la.
5.     Modo capitalista de produção: relações assalariadas de produção e a propriedade privada dos meios de produção.

sábado, 23 de outubro de 2010

Site do estatuto do idoso

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/estatuto_idoso.pdf

O Idoso na sociedade contemporânea - Tatiele Pereira de Souza


Pensar a questão do envelhecimento em uma sociedade capitalista significa localizá-lo, no âmbito da análise das relações de produção, do mercado de consumo e das representações sociais sobre a categoria velhice e porque não, das representações sobre o corpo que esta sociedade atribui significado.
Analisar sociologicamente a categoria velhice exige primeiro, saber como essa categoria é criado. Guita Debert (1999), em seu livro “A Reinvenção da Velhice”, se apóia em Pierre Bourdieu, a afirmação de que: “As categorias de idade são criações arbitrárias que se modificam de acordo com as diferentes sociedades”. Nesse sentido os significados e assim as representações sociais, a maneira como a sociedade pensa questões como a idade, são culturalmente construídas, não são dados da natureza.
De acordo com a autora Guita Debert, a idade cronológica baseada num sistema de datação, é nas sociedades ocidentais um mecanismo básico de atribuição de status como a maioridade legal, papéis ocupacionais como a entrada no mercado de trabalho e formulando demandas sociais como a criação das aposentadorias. Estas diversas formas de classificação da vida estão atreladas a um modelo de produção em que o econômico, a valorização da produtividade e do consumo são de suma importância. Nesse sentido a valorização do jovem em detrimento do velho, pode ser entendida já que o jovem é o individuo que está em plena atividade produtiva.
Segundo Clarice Peixoto (2003), no Brasil as novas imagens da velhice chegam ao final da década de 60, recuperando a noção de idoso em detrimento da palavra velho. Em todas as sociedades industriais a partir da criação da aposentadoria o ciclo de vida é reestruturado, estabelecendo-se três grandes etapas: a infância e a adolescência como tempo de formação, a idade adulta como tempo de produção e a velhice como idade do repouso.
Outro ponto importante que está relacionado a esse modo de produção e a cultura de nossa sociedade são as representações sociais em tomo da beleza, a busca do corpo perfeito, sempre ligado a jovialidade. Mirian Goldenberg no livro “De Perto Ninguém é Normal- Estudos sobre o corpo, sexualidade e desvio na cultura brasileira” realizou uma pesquisa com homens e mulheres no Rio de Janeiro, onde mostra como o corpo tem um significado importante para as relações afetivosexuais e em determinados comportamentos que podem ser interpretados como fruto de uma cultura que valoriza excessivamente a aparência, a juventude e a forma física.
 Envelhecer em uma sociedade com esses valores se torna uma experiência negativa, no entanto, com a implementação de direitos sociais como a aposentadoria, o que está ocorrendo de acordo com Guita Debert (2003), é a reinvenção da terceira idade e a resignificação da questão do idoso em nossa sociedade. De acordo com a autora a invenção da terceira idade é fruto do processo de socialização da gestão da velhice, nesse sentido o idoso sai da situação de decadência e pobreza e passa para um tempo privilegiado, para exercer atividades de lazer fora dos constrangimentos do trabalho e da família.
Esses idosos que conseguiram se aposentar passa a ser alvo do mercado de consumo, que vê neles a possibilidade de um consumidor ou de uma classe de consumidores em potencial, o que se vende é a busca pelo não envelhecimento, pelas fórmulas para se rejuvenescer, ou retardar o envelhecimento, o que se propõe ao idoso é que ele viva de acordo com o estilo de vida do jovem, o que é aceito e considerado como “bom” em nossa sociedade. Nesse sentido, a sociedade, atribui aos idosos que não vivem essa fase por motivo de saúde, por exemplo, ou por que a aposentadoria é irrisória, a responsabilidade negativa do envelhecer, atribuindo o “problema da velhice” para a responsabilidade individual.
Vale lembrar que essa resignificação que os mercados de consumo ajudaram a construir não está acessível a todos os idosos, pois, em uma sociedade como a nossa existem vários níveis de hierarquização e, como ressalta Guita, transformar os problemas da velhice em uma responsabilidade individual é propor políticas publicas precárias, intensificando a hierarquia social. As concepções destacadas a cima nos leva a pensar os conceitos de cidadania e política importantes para se entender temas da atualidade, como a regulamentação e aprovação do Estatuto do Idoso. A política entendida como a luta para se manter, controlar e obter o poder nas suas diversas manifestações e a cidadania como a implementação dos diversos direitos.
As associações e conselhos dos idosos foram importantes para a consolidação dos direitos sociais como a regulamentação do Estatuto do Idoso. Silvana krause e Denise Paiva (2002), “No texto Noções Preliminares sobre Política”, Os direitos humanos que tem como origem a Declaração universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, instituída na Assembléia Nacional Da França em 1789, que declarava o direito à igualdade e à liberdade para todos os homens, foram de suma importância para a constituição da cidadania que tem por definição o exercício pleno de um conjunto de direitos civis, políticos e sociais.
Esse principio de igualdade permitiu que se lutasse e expandisse a noção de direitos humanos ocorrendo uma crescente e constante luta das minorias pela igualdade, essas minorias podem ser étnicas, raciais, sexuais e também de categorias de idade. A luta por esses direitos ajudaram a implementar o Estatuto do Idoso, que não apenas regulamenta o direito dos idosos, mas também reflete o tratamento da sociedade com relação estes. sociedade com relação estes.